Como já foi explicado no livro "Recuperando Seu Poder de Escolha" - no exemplo da cachoeira, lembra-se? - os acontecimentos só existem na medida como cada um os vê e sente. Ou seja, sabemos que eles só existem na medida de cada pessoa que participa deles. No relacionamento pessoal dá-se o mesmo: as pessoas só existem nessa mesma medida, ou seja, na medida de cada um. Cada um de nós vê, sente, a outra pessoa na nossa própria medida. Nós só temos conhecimento dela através e por causa dos nossos próprios parâmetros, critérios, medidas, etc.
A outra pessoa é a outra pessoa. Para ela mesma, ela é o que ela conhece dela própria, do jeito dela com os critérios e parâmetros dela. Portanto, ela não é o que nós percebemos dela. Mas para nós, é. Para cada um de nós é assim.
Isso deveria ficar bem claro, e cada vez com mais urgência porque o que se observa é um desgaste terrível e inútil na convivência entre as pessoas porque não param para pensar nesse... óbvio.
Em outras palavras. Já sabemos que cada um de nós é único nessa dimensão. Essa unicidade tem seu princípio em si mesmo e no outro. Em si mesmo, na medida que você descobre quem você é no decorrer da sua vida. E no outro, na medida que o outro só pode saber de você com o que ele é, na medida dele, no momento dele.
Ou seja, você é você mesmo para você, mas é "mil outros você" para cada uma das pessoas para quem você existe, com os critérios e parâmetros de cada uma delas. Em cada momento delas.
- Como assim?
O outro percebe você com a percepção que ele tem. Essa percepção também é única, dele, vem da capacidade única que é dele.
Então o que ele conhece de você é da exclusiva compreensão dele porque depende do que ele é, do que ele pensa, do que ele acredita, naquele momento. O que ele recebe de você, o que ele descobre, por ele mesmo, de você, é o que você é para ele.
Assim Você é único para cada uma das outras pessoas.
Vamos dizer de outra maneira: cada pessoa só pode saber o que você é, com a capacidade que ela tem para receber o que você espelha para ela.
Um exemplo? O mais simples: para seu filho você é uma pessoa, para sua mulher / marido você é outra pessoa; para seu empregado você é uma pessoa; para seu chefe é outra... seu vizinho é uma pessoa para você e não é a mesma pessoa para os outros vizinhos... E você já ouviu "como é que fulano/a pode achar algo interessante naquela criatura !..." ? É só observar.
Quando misturamos esses diversos "lados" da mesma pessoa fazemos confusão de sentimentos, acontecimentos, ações e reações, que é causa de muitos problemas e de uma perda preciosa de tempo.
Quando você diz: "ela é assim" você deve estar atento para lembrar que isso é seu próprio ponto de vista, sua conclusão, seu critério - deste momento - não é a pessoa.
A pessoa é a pessoa, você é você, e o "como você percebe essa pessoa" é o que ela é para você - só para você, em cada momento.
Isso é de uma importância tão grande na vida prática que devemos parar para pensar. Quantos relacionamentos vão se deteriorando porque as partes não conseguem ver essa realidade e seguem querendo ter razão no que a outra pessoa é?! E reagem à elas em vez de agir com elas.
Já disse Rajneesh: "Nunca aja à partir de conclusões. Essas conclusões são seus condicionamentos, seus preconceitos, seus desejos, seus medos e tudo o mais."
A aceitação dessa verdade nos faz começar a entender o que é A VERDADE ... que não existe! A verdade para você é a sua verdade de mais ninguém. O outro tem a verdade dele.
Em todos os aspectos da vida essa premissa devia ficar sempre muito nítida para o ser humano atento, para aqueles que desejam qualidade para viver.
É com a minha verdade que posso saber a sua. Com meu critério que posso saber de você. Você é você, eu sou eu. Para mim você é assim, como eu vejo, para você eu sou assim como só você pode ver. Só isso.
Eu continuo sendo como eu sou para mim e você continua sendo como você é para você. Eu continuo sendo como você me vê e você continua sendo como eu posso ver você. Não confundir observar com rotular - o rótulo evita que você conheça o fato de fato.
Aceitar o outro em cada momento sabendo que é apenas o que você percebe dele, é o que se pode chamar de sabedoria. Tentar mudar esse outro é pura perda de tempo e energia. Só resulta em frustração.
Conhecer você mesmo é uma conquista diária que envolve aprendizado fértil. Conhecer o Outro é um caminho de surpresas e - se você quiser - de prazer.
Nos dois casos, é buscar o conhecimento da Verdade de cada um... aquela que só existe em cada momento!... OBSERVANDO PARA CONHECER A VERDADE DO SEU MOMENTO.
Palavras de: Dr. Georgi Lozanov
Imagem: google.com
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