quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Semelhante atrai semelhante (Osho)


Fábio, Lindes e Cris (12/10/2012)
Somente uma pessoa amorosa, aquela que realmente é amorosa; pode encontrar o parceiro ideal.

Essa é minha observação: se você está infeliz você irá encontrar alguém também infeliz. Pessoas infelizes são atraídas pelas pessoas infelizes. E isso é bom, é natural. É bom que as pessoas infelizes não sejam atraídas pelas pessoas felizes; senão elas destruiriam a felicidade delas. Está perfeitamente bem.

Somente pessoas felizes são atraídas pelas pessoas felizes. O semelhante atrai o semelhante. Pessoas inteligentes são atraídas pelas pessoas inteligentes; pessoas estúpidas são atraídas pelas pessoas estúpidas.

Você encontra as pessoas do mesmo plano. Então a primeira coisa a lembrar é: um relacionamento está fadado a ser amargo se este surgiu da infelicidade.

Primeiro seja feliz, seja alegre, seja festivo e então você encontrará alguma outra alma festiva e haverá um encontro de duas almas dançantes e uma grande dança irá surgir disso.

Não peça por um relacionamento a partir da solitude, não. Assim você estará indo na direção errada. Então o outro será usado como um meio e o outro lhe usará como um meio. E ninguém quer ser usado como um meio! Cada indivíduo único é um fim em si mesmo. É imoral usar alguém como um meio.Primeiro aprenda como ser só. A meditação é um caminho para ficar sozinho.

Se você puder ser feliz quando você está só, você aprendeu o segredo de ser feliz. Agora você pode ser feliz acompanhado. Se você é feliz, então você tem alguma coisa para compartilhar, para dar. E quando você dá, você obtém; não é de outra maneira. Assim surge uma necessidade de amar alguém.

Geralmente a necessidade é de ser amado por alguém. É a necessidade errada. É uma necessidade infantil; você não está amadurecido. É uma atitude infantil.

Uma criança nasce. Naturalmente, a criança não pode amar a mãe; ela não sabe o que é amar e ela não sabe quem é a mãe e quem é o pai. Ela está totalmente desamparada. Seu ser ainda está para ser integrado; ela ainda não está reunida.

Ela é somente uma possibilidade. A mãe precisa amar, o pai precisa amar, a família precisa banhar a criança de amor. Agora ela aprende uma coisa: que todos têm que amá-la. Ela nunca aprende que ela precisa amar. Agora a criança irá crescer e se ela permanecer presa nessa atitude que todo mundo tem que amá-la, ela irá sofrer por toda

sua vida. Seu corpo cresceu, mas sua mente permaneceu imatura.

Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro: que agora tenho que amar alguém.

A necessidade de ser amado é infantil, imatura. A necessidade de amar é maturidade.

E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não.

"É possível que duas pessoas num relacionamento sejam más uma para com a outra"?

Sim, isso é o que está acontecendo por todo o mundo. Ser bom é muito difícil. Você não é bom nem para si mesmo.

Como você pode ser bom para outra pessoa?

Você nem mesmo ama a si próprio! Como você pode amar outra pessoa? Ame a si mesmo, seja bom para si mesmo.

Os seus assim chamados santos têm lhe ensinado a nunca amar a si mesmo, para nunca ser bom para si mesmo.

Seja duro consigo mesmo! Eles têm lhe ensinado a ser delicado para com os outros e duro para consigo mesmo. Isso é um absurdo.

Eu lhe ensino que a primeira e mais importante coisa é ser amoroso para consigo mesmo. Não seja duro; seja delicado.

Cuide de si mesmo. Aprenda como se perdoar, cada vez mais e novamente; sete vezes, setenta e sete vezes, setecentos e setenta e sete vezes. Aprenda como perdoar a si próprio. Não seja duro; não seja antagônico consigo mesmo.

Assim você irá florescer.

Nesse florescimento você atrairá alguma outra flor. Isso é natural. Pedras atraem pedras; flores atraem flores. Assim há um relacionamento que possui graça, que possui beleza, que possui uma bênção nele.

Se você puder achar um relacionamento assim, seu relacionamento crescerá para uma oração; seu amor se tornará um êxtase e através do amor você conhecerá o que é o divino.


Osho
Imagens: google.com

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

As vozes da mente

Lindes (18/11/2012)

No caminho da confiança, encontramos muitos obstáculos, o principal deles são as vozes que ouvimos o tempo todo em nossa mente. Enquanto não despertamos para esta realidade, deixamo-nos dominar por elas incessantemente.

E estas vozes mudam continuamente, gerando uma verdadeira gangorra de emoções que nos desestabilizam e nos fazem entrar num processo de ansiedade que pode até mesmo nos levar a um surto de loucura, um colapso nervoso.

Escapar deste estado de miséria é o que a maioria da humanidade deseja, mas, infelizmente, muitos prosseguem como cegos, sem sequer ter idéia de como podem se libertar.

Aqueles que, felizmente, já obtiveram ao menos um pequeno vislumbre de consciência, aprenderam que dar ouvidos ao turbilhão de vozes que invadem nossa mente, principalmente em momentos difíceis da vida, quando nos defrontamos com experiências como a perda afetiva ou a derrocada financeira, significa permanecer rodando em círculos, sem encontrar qualquer possibilidade de saída.

A luz só se fará se, exatamente nestes momentos, formos capazes de permanecer alheios a estas vozes, sem dar a elas energia para que continuem a nos escravizar.

Embora difícil, é exatamente nestas ocasiões que precisamos parar, permanecer quietos, apenas observando as vozes para que, aos poucos, possamos adentrar numa atmosfera de quietude, onde a ansiedade e o desespero começam a dar lugar ao silêncio, ao vazio.

E, ao contrário do que possamos imaginar, é exatamente aí que somos preenchidos com uma imensa claridade, pois a luz se faz presente e nos ajuda a encontrar a saída para nossas angústias, por maiores que elas sejam.


"Osho, Estou sempre a ouvir vozes interiores. Mas uma voz diz uma coisa e outro diz exatamente o oposto. O que devo fazer?

Osho: Há muitas pessoas aqui que seguem ouvindo vozes interiores. Estas vozes são apenas lixo. Elas são apenas fragmentos de sua mente, pois elas não têm valor. E às vezes você pode pensar que você está ouvindo algum guia interior ou você está ouvindo algum mestre do além...- ou algum espírito, um espírito tibetano - e você pode seguir imaginando essas coisas. E você estará simplesmente enganando a si mesmo.

Estes são todos seus fragmentos. E se você continuar a segui-los, você vai ficar louco - porque uma parte vai te puxar para o norte, outra parte para o sul. Você vai começar a desmoronar.

Lembre-se, isso é neurose -você tem que aprendar a observar todas essas vozes. Não confie em nenhuma. Somente confie no silêncio. Não confie em qualquer voz - porque todas as vozes são da mente. E você não tem uma mente, você tem muitas. Essa falácia persiste - nós achamos que temos apenas uma mente. Isso está errado.

Você tem muitas mentes. Na parte da manhã, uma mente está no topo. Ao meio-dia, uma outra mente está no topo. À noite, uma terceira mente - e você tem muitas. Gurdjieff costumava dizer que você tem muitos eus, Mahavira disse que o homem é polypsyquico. Você é uma multidão! Se você ouvir essas vozes e segui-las, você irá simplesmente destruir toda a sua vida.

...Você vai ficar louco. E você está me perguntando: 'O que eu devo fazer?' Você não deve fazer nada de acordo com essas vozes. Você deve esperar o silêncio surgir. Observá-las - indiferente, distante. Basta olhar para elas, observá-las, sem se identificar com qualquer voz. Vai levar um pouco de tempo para você criar a distância - porque há vozes que são muito satisfatórias, há vozes que são muito gratificantes para o ego.

...Não acredite em nenhuma voz. Apenas permaneça distante, apenas assista. E observando, elas vão desaparecer - porque se você não se identificou, não irá alimentá-las, nutri-las. Quando todas as vozes se forem, então, haverá silêncio absoluto. O silêncio é a voz de Deus.

Lembre-se, Deus não tem voz exceto o silêncio. Ele nunca diz algo. Não há nada para dizer, não há comunicação verbal. Mas aquele silêncio, aquele silêncio absoluto, lhe dá clareza, lhe dá luz, torna-o capaz de mover-se corretamente. Não que ele dê alguma direção, não que ele dê a você algum mapa, não que ele forneça a você algum guia, - nada do tipo. Ele simplesmente lhe dá olhos para ver o seu caminho.

E, então, você começa a se mover na vida com olhos. Normalmente, você está se movendo cego. Um homem cego precisa de guias, um homem cego precisa de vozes, um homem cego precisa de mapas. Um homem que tem olhos não precisa de nada. Deus vem para você como silêncio. Deus é silêncio. Lembre-se: somente confie no silêncio e nada mais - caso contrário você vai ficar preso pela mente de novo e de novo. E ser preso pela mente é estar na miséria. Estar livre da miséria é saber o que é felicidade, é saber o que é benção".


OSHO - A Revolução - O nascimento do novo.
Imagens: google.com

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Deus é que te encontra

Fábio e Vó Carolina

“Você não encontra Deus, Deus é que te encontra. Para isso você deve abandonar o sonhar. Esse encontro somente é possível no silêncio, e o silêncio é um florescimento da presença. Da presença nasce o silêncio e a calma; e nessa calma você o uve a canção de Deus – a experiência da unidade acontece. Portanto, abandone a ansiedade e o desejo, simplesmente esteja aqui e agora, presente em cada ato, total em cada ação. Somente assim você poderá ser preenchido pelo Espírito Santo.”


Sri Prem Baba
Imagens: google.com

sábado, 24 de novembro de 2012

Nós mudamos nos encontros


Fábio e Cris


Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros.

Simples, mas profundo, preciso. É nos relacionamentos que nos transformamos. Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas.

À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida. A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes. Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvidas, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas.

Faz parte... Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos experiência.

Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheia de excessos.

Os seres de grande valor, percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago.

É lá que está o verdadeiro valor... Pois, Deus fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor.

Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar... Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor.

Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e... os superando. Ora, esse sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento...

E envolvimento gera atrito. Minha palavra final: ATRITE-SE!

Não existe outra forma de descobrir o amor. E sem ele a vida não tem significado.


Roberto Crema

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Intensidade


Anderson e Rafael
15/11/2012

"Um milhão vezes zero é zero!
Ou seja,
não coloque sua intensidade
onde não tem nada


Tati Bernardi
Imagens: google.com

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Águas de São Pedro


(Águas de São Pedro/ 2011)

"Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue".

Saudades, Lembranças e Reflexão

*** Para algumas pessoas esse pode ser um dia em que as lembranças são carregadas de tristeza e revolta. *** Para outras pode ser um dia de especial reflexão sobre os relacionamentos que sofreram uma interrupção, deixando muitas vezes espaços que poderiam ter sido preenchidos por mais atenção e carinho e *** para outras pode representar a saudade de um convívio em que cada momento teve um sentido especial na trajetória percorrida independente do tempo que se teve.

Em que grupo você se encontra? Se estiver no primeiro grupo, talvez saiba o quanto esses sentimentos nada trazem de positivo em sua vida e se quiser pode buscar um entendimento sobre o que deve estar acontecendo com você. Sua maneira de ver a morte ainda não se ampliou, está restrita ao sentimento de perda. Mas o que perdeu de fato? Tudo o que viveu ao lado daquele que partiu ficou em você, não ficou? Qual a finalidade da revolta e da tristeza então? Acredito que se nos colocarmos numa predisposição de ver melhor as situações vamos entender que esses sentimentos só servem para mostrar o quanto essa tendência humana de ficar no individualismo está prevalecendo.

O sentimento de perda nos deixa na dimensão da posse, só se perde aquilo que se acreditou ter. Ainda caminhamos pelas relações, movidos por essa idéia de que as pessoas nos pertencem e que temos o poder sobre a vida delas. Sendo assim como admitir o fato de alguém ter sido tirado de nós se não desenvolvermos a serenidade para aceitar a nossa impotência diante da única certeza que temos: de que um dia todos nós seremos arrebatados dessas relações pela morte. Interessante pensar que vivemos em busca de tantas certezas e que nessa busca muitas vezes deixamos de realizar, mesmo diante da única certeza que existe, a morte, não nos preparamos e também deixamos de realizar muito. Você deve estar pensando como seria estar preparado para esse momento tão certo de separação. É possível que existam muitas respostas para essa indagação, entretanto escolho uma que acredito ser possível de se conseguir: viver como se hoje fosse o último dia da sua trajetória, com as pessoas que escolheu para estar ao seu lado. Sua atitude poderia ser a de realizar tantas coisas que sem perceber foi deixando para depois. Quantas vezes demonstramos amor e gratidão por alguém?

Muitas vezes, a revolta e a tristeza vem desse saber inconsciente de que não soubemos usufruir da companhia de quem partiu. Para se livrar definitivamente desse estado, entre em contato com todos os momentos que viveu junto dessas pessoas que já não estão mais ao seu lado, não importa se foram bons ou não. O que vale, é você saber que teve essa oportunidade.

Certamente, em algum momento você conseguiu dar e receber algo significativo. Classificar de bom ou de ruim o que se viveu ao lado de alguém é uma questão de escolha. Podemos escolher olhar para essas trocas como os recursos para desenvolver o amor, se não desenvolvemos na relação com quem já partiu, que seja com quem ainda está ao nosso lado.

O dia de hoje pode ser sentido de outra maneira. Transforme a revolta em compreensão e aceitação, pois você sempre soube que um dia teria que viver essa separação. Transforme a tristeza na alegria do reencontro que um dia virá. Leve a compreensão e a alegria para as relações que ainda está tendo a oportunidade de viver. Faça diferente daqueles que se encontram no segundo grupo e preencha os espaços dessas relações com atenção e carinho.
Assim poderá fazer parte do terceiro grupo que tem o privilégio de apenas sentir saudades, mas tem confiança de que tudo está certo, de que tudo faz sentido e de que vale a pena viver mesmo longe daqueles que um dia fizeram parte da sua trajetória.

Se o dia de hoje é para direcionar as nossas homenagens aos mortos, muito mais que flores e velas, vamos direcionar à eles os mais belos sentimentos, como os que sentimos ao contemplar a beleza das flores e a luz do nosso amor que muito mais que a luz das velas, iluminará os novos caminhos que estão a percorrer em direção à Luz maior.


Izildinha Bagolin
Imagens: google.com