quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Semelhante atrai semelhante (Osho)


Fábio, Lindes e Cris (12/10/2012)
Somente uma pessoa amorosa, aquela que realmente é amorosa; pode encontrar o parceiro ideal.

Essa é minha observação: se você está infeliz você irá encontrar alguém também infeliz. Pessoas infelizes são atraídas pelas pessoas infelizes. E isso é bom, é natural. É bom que as pessoas infelizes não sejam atraídas pelas pessoas felizes; senão elas destruiriam a felicidade delas. Está perfeitamente bem.

Somente pessoas felizes são atraídas pelas pessoas felizes. O semelhante atrai o semelhante. Pessoas inteligentes são atraídas pelas pessoas inteligentes; pessoas estúpidas são atraídas pelas pessoas estúpidas.

Você encontra as pessoas do mesmo plano. Então a primeira coisa a lembrar é: um relacionamento está fadado a ser amargo se este surgiu da infelicidade.

Primeiro seja feliz, seja alegre, seja festivo e então você encontrará alguma outra alma festiva e haverá um encontro de duas almas dançantes e uma grande dança irá surgir disso.

Não peça por um relacionamento a partir da solitude, não. Assim você estará indo na direção errada. Então o outro será usado como um meio e o outro lhe usará como um meio. E ninguém quer ser usado como um meio! Cada indivíduo único é um fim em si mesmo. É imoral usar alguém como um meio.Primeiro aprenda como ser só. A meditação é um caminho para ficar sozinho.

Se você puder ser feliz quando você está só, você aprendeu o segredo de ser feliz. Agora você pode ser feliz acompanhado. Se você é feliz, então você tem alguma coisa para compartilhar, para dar. E quando você dá, você obtém; não é de outra maneira. Assim surge uma necessidade de amar alguém.

Geralmente a necessidade é de ser amado por alguém. É a necessidade errada. É uma necessidade infantil; você não está amadurecido. É uma atitude infantil.

Uma criança nasce. Naturalmente, a criança não pode amar a mãe; ela não sabe o que é amar e ela não sabe quem é a mãe e quem é o pai. Ela está totalmente desamparada. Seu ser ainda está para ser integrado; ela ainda não está reunida.

Ela é somente uma possibilidade. A mãe precisa amar, o pai precisa amar, a família precisa banhar a criança de amor. Agora ela aprende uma coisa: que todos têm que amá-la. Ela nunca aprende que ela precisa amar. Agora a criança irá crescer e se ela permanecer presa nessa atitude que todo mundo tem que amá-la, ela irá sofrer por toda

sua vida. Seu corpo cresceu, mas sua mente permaneceu imatura.

Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro: que agora tenho que amar alguém.

A necessidade de ser amado é infantil, imatura. A necessidade de amar é maturidade.

E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não.

"É possível que duas pessoas num relacionamento sejam más uma para com a outra"?

Sim, isso é o que está acontecendo por todo o mundo. Ser bom é muito difícil. Você não é bom nem para si mesmo.

Como você pode ser bom para outra pessoa?

Você nem mesmo ama a si próprio! Como você pode amar outra pessoa? Ame a si mesmo, seja bom para si mesmo.

Os seus assim chamados santos têm lhe ensinado a nunca amar a si mesmo, para nunca ser bom para si mesmo.

Seja duro consigo mesmo! Eles têm lhe ensinado a ser delicado para com os outros e duro para consigo mesmo. Isso é um absurdo.

Eu lhe ensino que a primeira e mais importante coisa é ser amoroso para consigo mesmo. Não seja duro; seja delicado.

Cuide de si mesmo. Aprenda como se perdoar, cada vez mais e novamente; sete vezes, setenta e sete vezes, setecentos e setenta e sete vezes. Aprenda como perdoar a si próprio. Não seja duro; não seja antagônico consigo mesmo.

Assim você irá florescer.

Nesse florescimento você atrairá alguma outra flor. Isso é natural. Pedras atraem pedras; flores atraem flores. Assim há um relacionamento que possui graça, que possui beleza, que possui uma bênção nele.

Se você puder achar um relacionamento assim, seu relacionamento crescerá para uma oração; seu amor se tornará um êxtase e através do amor você conhecerá o que é o divino.


Osho
Imagens: google.com

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

As vozes da mente

Lindes (18/11/2012)

No caminho da confiança, encontramos muitos obstáculos, o principal deles são as vozes que ouvimos o tempo todo em nossa mente. Enquanto não despertamos para esta realidade, deixamo-nos dominar por elas incessantemente.

E estas vozes mudam continuamente, gerando uma verdadeira gangorra de emoções que nos desestabilizam e nos fazem entrar num processo de ansiedade que pode até mesmo nos levar a um surto de loucura, um colapso nervoso.

Escapar deste estado de miséria é o que a maioria da humanidade deseja, mas, infelizmente, muitos prosseguem como cegos, sem sequer ter idéia de como podem se libertar.

Aqueles que, felizmente, já obtiveram ao menos um pequeno vislumbre de consciência, aprenderam que dar ouvidos ao turbilhão de vozes que invadem nossa mente, principalmente em momentos difíceis da vida, quando nos defrontamos com experiências como a perda afetiva ou a derrocada financeira, significa permanecer rodando em círculos, sem encontrar qualquer possibilidade de saída.

A luz só se fará se, exatamente nestes momentos, formos capazes de permanecer alheios a estas vozes, sem dar a elas energia para que continuem a nos escravizar.

Embora difícil, é exatamente nestas ocasiões que precisamos parar, permanecer quietos, apenas observando as vozes para que, aos poucos, possamos adentrar numa atmosfera de quietude, onde a ansiedade e o desespero começam a dar lugar ao silêncio, ao vazio.

E, ao contrário do que possamos imaginar, é exatamente aí que somos preenchidos com uma imensa claridade, pois a luz se faz presente e nos ajuda a encontrar a saída para nossas angústias, por maiores que elas sejam.


"Osho, Estou sempre a ouvir vozes interiores. Mas uma voz diz uma coisa e outro diz exatamente o oposto. O que devo fazer?

Osho: Há muitas pessoas aqui que seguem ouvindo vozes interiores. Estas vozes são apenas lixo. Elas são apenas fragmentos de sua mente, pois elas não têm valor. E às vezes você pode pensar que você está ouvindo algum guia interior ou você está ouvindo algum mestre do além...- ou algum espírito, um espírito tibetano - e você pode seguir imaginando essas coisas. E você estará simplesmente enganando a si mesmo.

Estes são todos seus fragmentos. E se você continuar a segui-los, você vai ficar louco - porque uma parte vai te puxar para o norte, outra parte para o sul. Você vai começar a desmoronar.

Lembre-se, isso é neurose -você tem que aprendar a observar todas essas vozes. Não confie em nenhuma. Somente confie no silêncio. Não confie em qualquer voz - porque todas as vozes são da mente. E você não tem uma mente, você tem muitas. Essa falácia persiste - nós achamos que temos apenas uma mente. Isso está errado.

Você tem muitas mentes. Na parte da manhã, uma mente está no topo. Ao meio-dia, uma outra mente está no topo. À noite, uma terceira mente - e você tem muitas. Gurdjieff costumava dizer que você tem muitos eus, Mahavira disse que o homem é polypsyquico. Você é uma multidão! Se você ouvir essas vozes e segui-las, você irá simplesmente destruir toda a sua vida.

...Você vai ficar louco. E você está me perguntando: 'O que eu devo fazer?' Você não deve fazer nada de acordo com essas vozes. Você deve esperar o silêncio surgir. Observá-las - indiferente, distante. Basta olhar para elas, observá-las, sem se identificar com qualquer voz. Vai levar um pouco de tempo para você criar a distância - porque há vozes que são muito satisfatórias, há vozes que são muito gratificantes para o ego.

...Não acredite em nenhuma voz. Apenas permaneça distante, apenas assista. E observando, elas vão desaparecer - porque se você não se identificou, não irá alimentá-las, nutri-las. Quando todas as vozes se forem, então, haverá silêncio absoluto. O silêncio é a voz de Deus.

Lembre-se, Deus não tem voz exceto o silêncio. Ele nunca diz algo. Não há nada para dizer, não há comunicação verbal. Mas aquele silêncio, aquele silêncio absoluto, lhe dá clareza, lhe dá luz, torna-o capaz de mover-se corretamente. Não que ele dê alguma direção, não que ele dê a você algum mapa, não que ele forneça a você algum guia, - nada do tipo. Ele simplesmente lhe dá olhos para ver o seu caminho.

E, então, você começa a se mover na vida com olhos. Normalmente, você está se movendo cego. Um homem cego precisa de guias, um homem cego precisa de vozes, um homem cego precisa de mapas. Um homem que tem olhos não precisa de nada. Deus vem para você como silêncio. Deus é silêncio. Lembre-se: somente confie no silêncio e nada mais - caso contrário você vai ficar preso pela mente de novo e de novo. E ser preso pela mente é estar na miséria. Estar livre da miséria é saber o que é felicidade, é saber o que é benção".


OSHO - A Revolução - O nascimento do novo.
Imagens: google.com

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Deus é que te encontra

Fábio e Vó Carolina

“Você não encontra Deus, Deus é que te encontra. Para isso você deve abandonar o sonhar. Esse encontro somente é possível no silêncio, e o silêncio é um florescimento da presença. Da presença nasce o silêncio e a calma; e nessa calma você o uve a canção de Deus – a experiência da unidade acontece. Portanto, abandone a ansiedade e o desejo, simplesmente esteja aqui e agora, presente em cada ato, total em cada ação. Somente assim você poderá ser preenchido pelo Espírito Santo.”


Sri Prem Baba
Imagens: google.com

sábado, 24 de novembro de 2012

Nós mudamos nos encontros


Fábio e Cris


Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros.

Simples, mas profundo, preciso. É nos relacionamentos que nos transformamos. Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas.

À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida. A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes. Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.

Outras, sem dúvidas, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas.

Faz parte... Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos experiência.

Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheia de excessos.

Os seres de grande valor, percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago.

É lá que está o verdadeiro valor... Pois, Deus fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor.

Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar... Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor.

Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e... os superando. Ora, esse sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento...

E envolvimento gera atrito. Minha palavra final: ATRITE-SE!

Não existe outra forma de descobrir o amor. E sem ele a vida não tem significado.


Roberto Crema

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Intensidade


Anderson e Rafael
15/11/2012

"Um milhão vezes zero é zero!
Ou seja,
não coloque sua intensidade
onde não tem nada


Tati Bernardi
Imagens: google.com

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Águas de São Pedro


(Águas de São Pedro/ 2011)

"Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue".

Saudades, Lembranças e Reflexão

*** Para algumas pessoas esse pode ser um dia em que as lembranças são carregadas de tristeza e revolta. *** Para outras pode ser um dia de especial reflexão sobre os relacionamentos que sofreram uma interrupção, deixando muitas vezes espaços que poderiam ter sido preenchidos por mais atenção e carinho e *** para outras pode representar a saudade de um convívio em que cada momento teve um sentido especial na trajetória percorrida independente do tempo que se teve.

Em que grupo você se encontra? Se estiver no primeiro grupo, talvez saiba o quanto esses sentimentos nada trazem de positivo em sua vida e se quiser pode buscar um entendimento sobre o que deve estar acontecendo com você. Sua maneira de ver a morte ainda não se ampliou, está restrita ao sentimento de perda. Mas o que perdeu de fato? Tudo o que viveu ao lado daquele que partiu ficou em você, não ficou? Qual a finalidade da revolta e da tristeza então? Acredito que se nos colocarmos numa predisposição de ver melhor as situações vamos entender que esses sentimentos só servem para mostrar o quanto essa tendência humana de ficar no individualismo está prevalecendo.

O sentimento de perda nos deixa na dimensão da posse, só se perde aquilo que se acreditou ter. Ainda caminhamos pelas relações, movidos por essa idéia de que as pessoas nos pertencem e que temos o poder sobre a vida delas. Sendo assim como admitir o fato de alguém ter sido tirado de nós se não desenvolvermos a serenidade para aceitar a nossa impotência diante da única certeza que temos: de que um dia todos nós seremos arrebatados dessas relações pela morte. Interessante pensar que vivemos em busca de tantas certezas e que nessa busca muitas vezes deixamos de realizar, mesmo diante da única certeza que existe, a morte, não nos preparamos e também deixamos de realizar muito. Você deve estar pensando como seria estar preparado para esse momento tão certo de separação. É possível que existam muitas respostas para essa indagação, entretanto escolho uma que acredito ser possível de se conseguir: viver como se hoje fosse o último dia da sua trajetória, com as pessoas que escolheu para estar ao seu lado. Sua atitude poderia ser a de realizar tantas coisas que sem perceber foi deixando para depois. Quantas vezes demonstramos amor e gratidão por alguém?

Muitas vezes, a revolta e a tristeza vem desse saber inconsciente de que não soubemos usufruir da companhia de quem partiu. Para se livrar definitivamente desse estado, entre em contato com todos os momentos que viveu junto dessas pessoas que já não estão mais ao seu lado, não importa se foram bons ou não. O que vale, é você saber que teve essa oportunidade.

Certamente, em algum momento você conseguiu dar e receber algo significativo. Classificar de bom ou de ruim o que se viveu ao lado de alguém é uma questão de escolha. Podemos escolher olhar para essas trocas como os recursos para desenvolver o amor, se não desenvolvemos na relação com quem já partiu, que seja com quem ainda está ao nosso lado.

O dia de hoje pode ser sentido de outra maneira. Transforme a revolta em compreensão e aceitação, pois você sempre soube que um dia teria que viver essa separação. Transforme a tristeza na alegria do reencontro que um dia virá. Leve a compreensão e a alegria para as relações que ainda está tendo a oportunidade de viver. Faça diferente daqueles que se encontram no segundo grupo e preencha os espaços dessas relações com atenção e carinho.
Assim poderá fazer parte do terceiro grupo que tem o privilégio de apenas sentir saudades, mas tem confiança de que tudo está certo, de que tudo faz sentido e de que vale a pena viver mesmo longe daqueles que um dia fizeram parte da sua trajetória.

Se o dia de hoje é para direcionar as nossas homenagens aos mortos, muito mais que flores e velas, vamos direcionar à eles os mais belos sentimentos, como os que sentimos ao contemplar a beleza das flores e a luz do nosso amor que muito mais que a luz das velas, iluminará os novos caminhos que estão a percorrer em direção à Luz maior.


Izildinha Bagolin
Imagens: google.com

domingo, 28 de outubro de 2012

Cada um assumir o seu papel


A melhor forma de estabelecer um bom relacionamento é o respeito sustentado pelo afeto amoroso

Se conviver com qualquer pessoa é difícil, que dirá com membros da mesma família, em que o afeto e a intimidade envolvidos não raro geram inúmeros problemas.

“A interação com o outro é complexa devido à singularidade de cada um. E, nas relações familiares, ainda entra a posse: acreditamos que, para nos amar, a outra parte tem que atender aos nossos desejos – que, muitas vezes, não sabemos nem quais são. Quando isso não ocorre, interpretamos como desamor”, analisa Araceli Albino, psicóloga e psicanalista, presidente do Sindicato de Psicanalistas do Estado de São Paulo. Equilibrar tais sentimentos requer muita determinação e amadurecimento emocional.

Que fique claro: o conflito faz parte da existência humana. E a razão disso é que, por sua natureza, o homem busca o prazer e a realização de seus desejos, o que nem sempre é possível porque vive em comunidade, submetido a leis sociais. A família é o primeiro núcleo que conhece, a base para nortear seus afetos e o caminho para adquirir uma estrutura forte ou frágil, o que lhe permitirá resolver suas questões com mais ou menos facilidade.

“É na família que acontecem nossos primeiros relacionamentos, o lugar onde ‘treinamos’ os papéis que irão nos servir no mundo lá fora. Isso torna as relações muito intensas”, reflete Marília Castello Branco, psicóloga dos setores de adolescentes e mulheres do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “O importante é tentar solucionar os problemas com coerência. E entender que, se o outro não está a nosso favor, não significa que está contra nós. Amadurecer é aceitar que nem sempre será ‘do nosso jeito’”, completa Araceli Albino.

O limite do que é saudável

Até que ponto brigar, se desentender em família, é normal? Conforme ressaltam os terapeutas, tudo que é extremado não é saudável. Então, o ideal é tentar conduzir a resolução das questões com respeito, percebendo o que é nosso e o que é do outro, sem projetar os próprios problemas no cônjuge, nos pais, nos filhos. “A projeção é um mecanismo de defesa psíquica. Por meio dela, levamos para fora o que é ruim em nós, geralmente acusando o outro de características e sentimentos que na verdade são nossos”, explica a psicanalista.

Para a boa convivência, é essencial que cada um perceba seus pontos positivos e negativos, assumindo sua parte e deixando que o diálogo se estabeleça. “Sem conversa, não se resolve nada. A linguagem é a melhor forma de comunicação, e é por aí que temos de trabalhar as dificuldades.”

De fato, os conflitos são necessários para que se chegue a um consenso. Marília Castello Branco observa que há famílias com mais diferenças entre os membros, o que faz com que as adversidades e os impasses sejam mais explícitos. A questão é que nem todas as pessoas são capazes de voltar atrás, reconhecer seus erros, batalhar para mudar interna e externamente. “Fazer de conta que os problemas não existem, deixá-los de lado, pode ser prejudicial, pois podem surgir mais fortes no futuro. Há histórias que se prolongam durante anos, às vezes por gerações, sem serem resolvidas.”

Ela lista as características e habilidades que todos devem desenvolver para melhorar a convivência: tolerância, paciência, empatia e capacidade de se colocar no lugar do outro. “Na outra extremidade, prejudicam a intolerância, o egocentrismo, ser excessivamente controlador e não ter consideração com as necessidades alheias.”

Definição de papéis é fundamental


Em família, temos um dado a nosso favor: o amor. “A melhor forma de estabelecer um bom relacionamento é o respeito sustentado pelo afeto amoroso”, diz Araceli Albino, enfatizando a importância de que cada um ocupe seu lugar e tenha seu papel bem definido.

Nesse sentido, o pai tem a função de fazer valer a lei – a lei que protege, ampara, coloca limites; a mãe abarca uma posição mais protetora, mediadora, cuidadora; e o filho deve entender que tem regras a cumprir, que não é um ‘vale tudo’. “Quando falamos em ‘pai’, pode ser qualquer membro que faça a lei funcionar. O importante é que o núcleo consiga estabelecer as normas com clareza, firmeza e amorosidade. Assim, desenvolve-se um padrão de convivência saudável.”

Não tenha dúvida: a falta de limites é a grande vilã dos problemas familiares. E a chance disso acontecer é cada vez maior, já que os tempos mais ‘liberais’ levam à mistura de papéis e deixam muitas pessoas perdidas. “Os pais podem ser próximos, informais, acessíveis, mas não perder a sua função principal – que é a de orientar e dar limites. Tem que deixar claro quem é o adulto, e agir de acordo”, sustenta Marília Castello Branco.

De fato, alguns pais não conseguem controlar os filhos, que por sua vez se sentem desamparados na sua pseudo-liberdade. “O resultado disso é o desequilíbrio emocional, que não raro leva o indivíduo a agir com violência, sem dialogar, ou a se tornar extremamente permissivo, achando que tudo pode. Em relação à criança e ao adolescente, o que é excessivo, prejudica. Eles vão se defender buscando objetos que preencham o vazio deixado pela falta de vivências significativas”, completa Araceli Albino.

Auxílio psicológico pode ser valioso


Se acontecer o pior e as relações familiares se tornarem insustentáveis, o melhor a fazer é parar, refletir e cada um tentar se perceber dentro daquele contexto. A partir daí, olhar o outro além de si mesmo e, claro, conversar.

Muitas vezes, a solução está na nossa frente – mas não queremos encará-la porque o processo pode ser doloroso. Caso o diálogo não ajude, talvez seja o caso de procurar auxílio profissional, com a intermediação de um terapeuta de família. “A psicanálise considera que o psiquismo é constituído pelas relações familiares. Assim, a nossa ‘novela familiar’ é que determinará as nossas emoções, nossos sentimentos, a estrutura de caráter do nosso ego.

Se a criança tiver um lar equilibrado, irá introjetar uma lei que a protege, ou seja, saberá o que é bom e o que é mau, o que pode e o que não pode. Aprenderá que o amor é conquistado e, para isso, cada um tem que fazer a sua parte. Ela se enxergará e também a existência e importância do outro, condições essenciais para se estabelecer relações saudáveis”.


Araceli Albino
Fonte: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/09/28/para-se-ter-uma-familia-saudavel-e-importante-cada-um-assumir-seu-papel-dizem-terapeutas.htm

sábado, 27 de outubro de 2012

Coração ferido


"Pra coração ferido...
Torça bem as lágrimas, uma a uma, até desencharcar o coração.
Depois, estenda a tristeza pra secar no varal da autogentileza.
Lá costuma bater sol."


Ana Jácomo

Meu despertar


"Não sei exatamente em que momento comecei a despertar. Só sei que comecei a desejar menos entender de onde vim e a desejar mais aprender a estar aqui a cada agora. Só sei que descobri que a solidão é estar longe da própria alma. Que ninguém pode nos ferir sem a nossa cumplicidade. Que, sem que a gente perceba, estamos o tempo todo criando o que vivemos. Que o nosso menor gesto toca toda a vida porque nada está separado. Que a fé é uma palavra curta que arrumamos para denominar essa amplidão que é o nosso próprio poder."


Ana Jácomo

O amor de Deus por nós


(Laurindo, Vanessa, Fábio, Anderson, Marcelo e Getúlio - fevereiro/2010)

"O amor de Deus por nós é aquele amor que olha
para o fundo de nossa alma e é capaz de enxergar
que ainda valemos a pena, apesar de nós mesmos
já estarmos convencidos do contrário."


Padre Fábio de Melo

O problema tem a importância que você dá


"Como a planície que se alaga, nossa vida também acaba sendo alagada pelos problemas, quando damos a eles importância maior do que realmente têm".


Padre Léo

Não espalhe a sua felicidade


"Você é feliz? Não espalhe, já que tanta gente se sente agredida com isso. Mas também não se culpe, porque felicidade é bem diferente do que ser linda, rica, simpática e aquela coisa toda. Felicidade, se eu não estiver muito enganada, é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é tirar algum proveito do sofrimento, é não se exigir de forma desumana e, apesar disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo."


Martha Medeiros

A vontade de viver


(Laurindo - Águas de São Pedro emm 2012)

"O que revela a nossa força não é sermos imbatíveis, incansáveis, invulneráveis. É a coragem de avançarmos, ainda que com medo. A vontade de viver, mesmo que já tenhamos morrido um pouco aqui e ali, pelo caminho. É a intenção de não desistirmos de nós mesmos, por maior que, às vezes, seja a tentação. São os gestos de gentileza e ternura, que somente os fortes conseguem ter."


Ana Jácomo

Dar e receber


"Amor invoca amor e ódio invoca ódio. Tudo aquilo que nós damos retorna para nós. Essa é uma lei eterna. Assim, tudo aquilo que você deseja receber, é aquilo que você deve dar ao mundo. Você não pode receber flores em retribuição a espinhos..."


Osho